O Sleeve é atualmente a técnica bariátrica mais realizada no mundo

A excelente perda de peso resultante do Sleeve gástrico, controle de diabetes, comorbidades metabólicas, baixa dependência de vitaminas e suplementos em longo prazo, ausência de pontos de difícil acesso por exames de rotina (como o estômago excluso do bypass), facilidade de acompanhamento em longo prazo, tornaram o Sleeve a cirurgia bariátrica mais realizada no mundo e, vem rapidamente conquistando adeptos no Brasil.

A relação entre o Sleeve e o refluxo gástrico é muito controversa

O refluxo esofágico é a queixa mais comum dos pacientes que procuram o gastroenterologista.

Os sintomas mais comuns de refluxo são a azia ( sensação de ácido subindo pela garganta), tosse seca noturna e ardência na garganta matinal. Pode também ser causa de bronquite e pneumonias de repetição.

O refluxo ocorre quando existe um mau funcionamento do esfíncter inferior do esôfago (válvula entre o esôfago e o estômago) que está relacionado à obesidade, presença de hérnia de hiato, maus hábitos alimentares e uso de medicações como anti-inflamatórios, corticoides e hormônios.

Diversas publicações científicas mostram que o Sleeve melhora o refluxo

  Esta melhora do refluxo provavelmente está relacionada a alguns fatores como:

  • O emagrecimento proporcionado pelo Sleeve, levando a redução da pressão sobre o estômago facilitando o trânsito normal do alimento.
  • A redução da quantidade de alimentos armazenada após a remoção do fundo gástrico, aliviando a sobrecarga sobre o esfíncter inferior do esôfago, que passa a exercer melhor sua função.
  • A adoção de hábitos saudáveis e atividades físicas, levando à melhoria da qualidade do sono, que também reduzem o refluxo.

 

Outras publicações relacionam piora do refluxo com o Sleeve

Esta piora provavelmente está relacionada a questões técnicas na realização da cirurgia.

Algumas prováveis causas são:

  • Remoção insuficiente do fundo gástrico permitindo acúmulo de alimento nessa região e, consequente, sobrecarga do esfíncter inferior do esôfago.
  • Torção do tubo gástrico durante a confecção do Sleeve ou por aderências no pós-operatório.
  • Estreitamento do tubo gástrico por grampeamento muito próximo à incisura (ponto onde o estômago faz uma curva adquirindo seu formato característico de”J”).
  • Pequenas hérnias de hiato podem não ter sido identificadas previamente ou formadas após a cirurgia, por perda da ancoragem do ângulo formado entre o esôfago e o fundo gástrico (Hiss), e desaparecimento da gordura existente ao redor do esôfago.
  • Disfunção intrínseca do esfíncter inferior do esôfago -como em pessoas magras, sem hérnia de hiato, com mau-funcionamento do esfíncter inferior do esôfago, que apresentam refluxo.

 

Detalhes técnicos que consideramos importantes para evitar o refluxo

Baseados na experiência de mais de 1200 cirurgias bariátricas realizadas pela técnica do Sleeve gástrico ao longo dos últimos 10 anos, nossa opinião é de que o Sleeve, desde que adequadamente realizado, corrige o refluxo. Mesmo pacientes que possuem hérnia de hiato volumosa, podem ter sua hérnia corrigida na mesma ocasião, desde que seguidos alguns cuidados técnicos de modo a se evitar o refluxo.

  • Revisão sistemática do hiato e correção de hérnias quando identificadas e retirada de gorduras excessivas e lipomas da região do hiato esofágico.
  • Confecção de um tubo gástrico uniforme, sem pontos de estreitamento que dificultem o trânsito do alimento, nem áreas de dilatação que propiciem o reganho de peso.
  • Fixação do tubo gástrico na sua posição original, de modo a evitar sua aderência em posição viciosa ou torções.
  • Fixação do esôfago em sua posição original, evitando o deslocamento do esfíncter inferior do esôfago, prevenindo seu mau funcionamento.

 

O refluxo esofágico também existe no bypass  gástrico

Ao contrário do Sleeve, que preserva todos as válvulas naturais que controlam a entrada e saída dos alimentos do estômago, a limitação da quantidade de alimentos ingeridos no bypass   gástrico é causada pela emenda estreita entre o pouch (estômago reduzido) e o intestino. Esta pequena passagem é fixa e não tem nenhum mecanismo de controle de abertura ou fechamento, possibilitando o transbordamento e refluxo esofágico quando a velocidade da ingestão excede a velocidade de esvaziamento do pouch gástrico. Existem na literatura, inclusive, descrição de técnicas para a confecção de válvula antirreflexo para pacientes com bypass.

 

Se você tem refluxo e pensa em optar pela cirurgia bariátrica do tipo Sleeve, procure um cirurgião que tenha boa experiência com esta técnica. Discuta com ele sobre as possibilidades, vantagens e implicações de cada opção.

O Site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (www.sbcbm.org.br) disponibiliza a relação dos cirurgiões bariátricos associados e titulares na sua região.